Estrelas Apagadas

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Estrelas apagadas, o céu estava tão calado quanto a rua qual observava pela escassa luz janela afora de meu dormitório, sentada sobre minha cama.

O velho relógio de parede tique-taqueava a cada segundo, um padrão inquebrável e decorado. As ondas sonoras daquele item não me incomodavam, na verdade, eram minhas companheiras nessa noite silenciosa.

Fechei a cortina escura, impedindo de uma vez por todas que aquele resíduo de luz adentrasse minha habitação. Calou-se então a iluminação, mas nada era perceptível à minha visão. Apenas eu e o relógio presentes neste cômodo frio.

Frio. Aquela noite estava fria, assim como minha pele. Os pelos que arrepiavam-se entregando-se de bandeja a essa sensação noturna, nada calorosa e extremamente quieta.

Nenhum ruído exceto o relógio e minha respiração.

Deitei-me aconchegante sob meu cobertor felpudo, buscando aquecer-me um pouco que seja. Não levei mais que alguns minutos para ser carregada aos braços de meus sonhos, rumando ao imaginário mundo de lembranças e especulações.

Assim como as estrelas, o céu e a rua, calei-me.

Voltei-me a um lugar surreal e iluminado em meus pensamentos mais profundos, onde avistei uma pálida senhora a caminhar tranquila pelas nuvens de algodão. Uma senhora conhecida, aliás.

Sim, possuíamos muitos vínculos. Éramos muito próximas há poucos anos atrás, mas esta havia me deixado para viver em sua eterna bolha de felicidade, conhecida vulgarmente como “O Paraíso”.

Mais do que apenas memórias, essa livre madame havia me dado algo muito mais valoroso antes de partir. Seu velho relógio de parede, que incansavelmente avisa cada segundo que acabara de passar, que incessavelmente  está ao meu lado, com seus ruídos que tampouco me incomodam.

Sua presença faz-me sentir que a estrela daquela alegre senhora ainda está acesa e para sempre continuará, se assim eu quiser. Pois em meus sonhos tanto as estrelas, o céu, a rua ou mesmo a idosa continuam acesos.

Em ruídos mudos e luzes inexistentes, sei que essa estrela nunca estará apagada para mim.

— Karol Póss

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